Nos últimos oito anos tive o privilégio de conhecer o Orlando. Um homem que amava a vida e a família. Lutou durante muitos anos contra o mal de Parkinson e seus efeitos. Lutou valentemente para viver. Deixou esposa, quatro filhos e muitos netos. Fui chamado no domingo de manhã por Guilherme, filho de Orlando, para visitar e orar pelo pai na UTI de um hospital de Goiânia. Ali vi apenas a sombra do que foi um dia um homem forte. Tinha acabado de ter uma parada cardíaca. Estava internado há 39 dias. Oramos para que Deus desse descanso ao Orlando e consolo para a família. Na tarde daquele mesmo dia ele descansou. Não vamos nos ater aos muitos aspectos da vida do Orlando que nos provam o quanto ele amava a vida e o quanto lutou por ela, mas essa mesma luta e a despedida de seu filho naquela UTI me trouxeram à mente algumas coisas: A morte sempre é um momento do qual muitos queremos fugir, mas é o momento de olharmos para nossas próprias vidas. Eclesiastes 7.2 diz: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer. E os vivos nunca devem esquecer isso” (NTLH). Nesses momentos enfrentamos o fato de que somos mortais e de que não viveremos nesse corpo para sempre e a pergunta chega: “Estou pronto para morrer?”. A morte nos leva a considerar o valor real das coisas. O amor do Orlando pela vida nos faz pensar no que realmente tem valor na vida. Percebemos naqueles dois dias que não são os bens. Vieram muitas e muitas pessoas para o sepultamento. É bom ter amigos, muitos amigos, mas há algo mais. “Onde encontrar alegria pela vida?” A morte nos leva a perguntar ainda “Onde vou encontrar consolo?”. A Bíblia diz “Felizes os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5.2). As bem-aventuranças são um passo-a-passo para a vida espiritual. Uma escada que leva a conhecermos o céu onde há perdão e uma nova vida. A primeira beatitude é endereçada aos pobres – aos pobres de espírito. Aqueles que são completamente dependentes de Deus. A segunda benção é para aqueles que choram. Choram por reconhecerem que são pobres e precisam de Deus, que conhecem sua própria dor. A vida está cheia de sofrimento seja qual for o motivo, não podemos negar: cedo ou tarde eles chegam. Jesus nos encoraja a encontrar a bênção que está escondida em nossa dor. Quando sofremos a morte de alguém que perdemos, é como se perdêssemos uma parte de nós. Alguém disse: “É como se tivesse perdido um braço ou uma perna”. Nós somos destroçados e depois saímos como Jacó, mancando, mas abençoados. Quando enfrentamos nossas perdas, onde encontramos as respostas para “Estou pronto para morrer?”, ” Onde encontrar alegria pela vida?” e “Onde vou encontrar consolo?”. A resposta para a pergunta “estaou pronto para morrer” surge quando reconhecemos nossa incapacidade de termos respostas para tudo, que somente Deus tem as respostas, nos arrependermos de nossa arrogância e de entregarmos toda a nossa vida nas mãos dele, reconhecendo o sacrifício que foi feito por nós através de seu filho (João 3.16). A alegria pela vida está em deixar que Deus tome conta de todo o nosso ser e nos mostre a vida abundante (João 10.10) e o amor verdadeiro que está acima de todas as circunstâncias (Romanos 8.35). O consolo vem de sabermos que Deus está chorando conosco (João 11.33-35). Em resumo, a resposta a essas perguntas está em Jesus. Felizes são aqueles que choram, porque eles serão consolados. Nós encontramos todas as respostas, a alegria pela vida e principalmente o consolo, no amor que nunca morre, o amor de Cristo. Oração: Jesus, eu reconheço que a resposta a todas as perguntas da vida está em ti. Perdoe minha arrogância de achar que tenho tudo resolvido e que não preciso de mais nada, perdoe os meus pecados. Eu entrego toda a minha vida a ti. Enche agora a minha vida da tua paz, da alegria pela vida e do consolo do teu Espírito Santo. Amem.