Caminhar com Dor

“É necessário caminhar, hoje, amanhã, e depois; porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém” (Lucas 13.33). Jesus “andou fazendo o bem”, como bem testemunha a Bíblia Sagrada (Atos 10.38) e, mesmo assim, enfrentou forte oposição, ameaças e até morte. Libertando as pessoas do poder do mal e curando suas enfermidades, Ele, contudo, sabia que ao final o esperava a morte: “Eu expulso demônios e faço curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia serei consumado” (Lucas 13.32). A história de Jesus nos ensina uma profunda verdade sobre o sofrimento e é que os sofrimentos são inevitáveis e vêm mesmo sobre aqueles que fazem o bem! É verdade que precisamos ter consciência que falamos sobre aqueles que fazem o bem em sentido relativo, mas não em sentido absoluto, pois a Bíblia ensina categoricamente que não há ser humano que faça o bem (de forma absoluta, Romanos 3.12) e que só Deus é bom (Mateus 19.16-17). Apesar de todos os esforços para fazer o bem, não há imunidade contra o sofrimento. Não há palavras de ordem contra o sofrimento. Não há pensamento positivo, ou afirmação positiva contra o sofrimento. Ele vem sobre bons e maus! Diante dessa realidade incontornável, a única forma de enfrentar o sofrimento não é negando-o, nem fechando os olhos para ele, fingindo que ele não existe. Não enfrentamos o sofrimento nos resignando nem nos entregando a ele; muito menos sacralizando-o (afirmando p.ex.: “é a vontade de Deus que eu sofra”). Nem desespero, nem resignação, a única forma de enfrentá-lo é caminhando sempre, hoje, amanhã e depois! Em Êxodo 13: 17, 18, 21, 22 lemos sobre a saída do povo de Israel do Egito e a presença de Deus na caminhada no deserto; de dia, através de uma coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e, à noite, numa coluna de fogo, para os alumiar. O propósito desse cuidado especial de Deus era para que eles “caminhassem de dia e de noite” (vs. 21). A própria história de Jesus testemunha essa estratégia de vida, pois, apesar de saber que em Jerusalém o aguardavam a traição, a negação, a agonia do Getsêmane e finalmente a Cruz, “Jesus percorria as cidades e os povoados, ensinando e caminhando para Jerusalém” (Lucas 13. 22). A enigmática afirmação “não convém que um profeta morra fora de Jerusalém” (vs. 33b) nos traz profundo ensinamento. Jesus como o profeta, porta-voz por excelência de Deus, não deveria enfrentar o martírio senão na cidade de Deus, na cidade santa. Com isso Ele nos ensina que o melhor lugar para enfrentar o sofrimento é exatamente no centro da vontade de Deus, ou, na expressão da conhecida canção evangélica: “o melhor lugar do mundo é aos pés do Salvador”. E, se o significado da palavra hebraica Ierushalem (Jerusalém) é mesmo “Cidade da Paz” podemos concluir que a única forma de experimentar a paz em meio ao sofrimento é exatamente permanecendo no centro da vontade de Deus, nas mãos de Deus. A vida tem te machucado? Você tem enfrentado dor? Há indícios que enfrentará dor e sofrimento no futuro? Continue a caminhar! Mesmo “mancando de dor”, continue a caminhar hoje, amanhã e depois. Aos pés do Salvador, nas mãos de Deus, você pode ter certeza que experimentará cuidado e forças para continuar a caminhar e, sobretudo, terá paz interior! Pr. Josué Mello Salgado