Naquela manhã de segunda eu acordaria e trabalharia normalmente. Tudo mudou com um telefonema de meu irmão. Liguei a um de meus colegas de trabalho e avisei que teria que ir a São Paulo, pois meu pai tinha falecido. Fomos mais que rapidamente, eu e o Caio, que estava com 14 anos na época, para São Paulo. Era uma viagem que fazia sempre para visitar meus pais. Foi a viagem mais difícil de minha vida. Dirigindo meu carro eu não parava de pensar no que encontraria. A dor aparente não parecia ser tão visível. A dor mais aguda ainda aconteceria? Será que tudo é um sonho ruim? Foram cerca de 05 horas de viagem, pareceram uma eternidade. Ao chegar ainda no carro na porta do prédio que meu pai morava. Olhei para a janela e vi meu tio, irmão mais novo de meu pai, na janela nos aguardando. Por uns segundos pensei que era meu pai na janela. Era um sonho ruim que estava terminando. Meu pai estava na janela como muitas vezes fazia quando eu chegava. Ele e minha mãe conheciam o som do carro. Quantos sorrisos maravilhosos. Foram tantas recepções calorosas que experimentei ao olhar aquela janela. Que grande amor transbordava daquela janela. Ao me verem chegando corriam para porta da sala e me aguardavam sempre com as portas abertas e um abraço poderoso que me dava forças para voar. Naquele dia, realmente, não era meu pai que estava na janela. Verdade seja dita. Parecia ele. Aliás, meu tio Sérgio*, médico em São Paulo, é muito parecido com meu pai. Não foi uma confusão da minha mente por estar desejando mudanças radicais, para melhor, naquela situação. Não era meu pai na janela de seu quarto. Entretanto, ao subir aqueles dois andares de escadas encontrei meu tio aguardando-me na porta do apartamento, como faziam sempre meus pais. Ali dei um abraço inesquecível e chorei como uma criança pela primeira vez. Nunca chorei tanto. Nunca me senti tão acolhido. Nunca me senti tão livre para chorar. Nunca chorei com tantas as forças recebendo forças ainda mais potentes. Vi a face do Pai verdadeiro naquele momento. Jesus, o Pai de verdade, nos deixou o consolador. O Espírito Santo do Senhor ficou entre nós para consolar, nos confortar, nos ajudar, nos abraçar. O pai de verdade não deixa nunca seus filhos sozinhos. Os defende como um pastor defende suas ovelhas. Quando sai, está presente. Quando vai embora, deixa o seu protetor e amigo. Deixa o seu Consolador. O Pai de verdade nunca nos abandona e nunca me abandonou. Estava presente naquele abraço. Estava presente naquele momento de dor. Está presente até hoje. Vejo seu amor diariamente. Deus é assim. Não deixou substituto. Ficou entre nós. Sentimos o Espírito Santo do Senhor caminhar através do vento. Sentimos quando estamos bem e quando estamos mal. Vivenciamos sua presença constantemente nas janelas do coração de todos os seus filhos. Deus está presente entre nós. Essa é uma verdade para minha vida e para sua vida. A grande coincidência é que Ele não quer mais ser visto somente na janela da alma. Ele quer te abraçar. Aproveite agora e suba a escada correndo. Ele está à porta esperando para te abraçar. Pai de verdade é assim, parece que está longe no alto da janela. Entretanto nos aguarda com os braços abertos, as mãos marcadas e o abraço salvador.
*Sérgio Gonçalves de Freitas, Médico em São Paulo, Uma benção para minha vida. Sempre com palavras sábias me ajuda e me conforta. Eu o amo demais.** Do livro Agora Entendo o Beija-Flor**** Todos os direitos reservados **