Preciso admitir, apesar de dizer que não crio raízes nos lugares aonde vou (é fácil dizer isso), mas na hora em que recebi a notícia da possibilidade de ser transferido para outra cidade, muitos motivos para não ir me vieram à mente. Aqui comecei minha vida de casado, aqui fiz amigos, aqui trabalho em uma igreja, aqui minha filha vai nascer, etc., etc., etc. Todos que passamos por esse desafio temos um grande desejo de voltar para o lugar que pertencemos. Todos nós que experimentamos isso, passamos por momentos de solidão, de distância, de saudade que traz profundas marcas pessoais e espirituais. Um índio expulso de sua terra disse: “Para nós quando nossa terra se vai, você caminha para uma morte espiritual lenta. Chegamos ao ponto em que a morte é melhor que viver sem espiritualidade”. Não foi diferente para o povo de Israel quando foi levado para o cativeiro em 587 A.C. O povo que vivia descansado em seus pecados e ignorava os avisos de Deus. Quando foram levados, para piorar a situação, sua terra foi destruída e eles perderam seus lares e seus bens. Isso representou também a perda de sua fé e sua identidade. Depois de terem sido dominados por outro reino, agora se lamentam de não terem uma terra. O Livro de Lamentações retrata em seus poemas a mudança física, espiritual e pessoal que o exílio trouxe: “Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim” (Lamentações 3.19-20 – NVI). Esse sentimento de profunda tristeza não é desconhecido, pois apesar de estarmos em um lugar em que começamos a criar raízes ou fixados, sempre temos a esperança de um lugar melhor, de um lugar desconhecido, mas que ao mesmo tempo é familiar. Sentindo como estranhos, mas de alguma forma em casa. Esse sentimento está no coração mesmo do mais nômade entre nós. O escritor de Lamentações dá voz à incerteza do exílio, a razão de uma Jerusalém destruída e a morte de sua terra natal no sentido mais profundo da palavra, mas também dá voz à promessa de uma volta e uma restauração. Não importa o lugar que perdemos, vagando ou no exílio, não importa a distância ou a profundidade: o braço do senhor não é curto que não possa salvar. “Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança” (Lamentações 3:21-24 – NVI). Nós não somos daqui. Somos apenas peregrinos e nossa vida na Terra, não passa de um sopro, um piscar de olhos na eternidade. Aqui estamos sujeitos ao pecado, às injustiças do mundo. Aqui temos que nos mover de um lugar para outro seja para garantir nossa sobrevivência, seja por termos sido expulsos de nosso lugar. Temos saudades da nossa terra. Só encontraremos esse nosso lar verdadeiro, quando chegarmos naquele desconhecido lugar em que tudo é novo, mas familiar. Nosso lugar é com Deus. Essa é uma certeza viva, real. Deixa uma sede tão grande dentro de nós que só aos pés de Cristo é que encontramos alívio. Ele é quem prepara um lugar para nós, ele é quem responde nosso desejo por um lar e apaga a injustiça de termos sido jogados para fora de nossa terra natal. É ele quem remove as montanhas de pecado e tristeza que atrapalham nossa visão de um lugar eterno ao lado dele. Com ele, estaremos em casa. Em um lugar do qual não precisaremos mais nos mudar. Em família. Oração: Deus, não estou em minha terra e meu coração deseja ardentemente estar naquele lugar em que tudo é definitivo, o lar verdadeiro. Em tuas mãos entrego toda a minha vida, meus anseios, medos e o desejo de um futuro melhor.Adaptado de texto de Jill Carratini – RZIM