Paulo e D. Ionete Vivem Excelente Perdão

O texto abaixo foi retirado do site Prazer da Palavra do Pr Israel Belo de Azevedo: “Jorge Antônio Barros, repórter da área policial de O Globo, do Rio de Janeiro, escreveu no seu blog do jornal uma reportagem sobre a mãe da jovem Karla Leal dos Reis, de 25, assassinada quando voltava do culto em sua igreja (Assembléia de Deus), depois de repetir ao ladrão que lhe devolvesse o crachá e a Bíblia. O jornalista escreveu:- Senhor, fico feliz que ela esteja nos seus braços, mas me dá um consolo. Que esse rapaz venha para a casa do Senhor. Eu não merecia uma filha tão maravilhosa, com uma passagem tão bonita pela vida. A oração, em tom absolutamente conformado, foi feita na segunda-feira passada no enterro da jovem Karla Leal dos Reis, de 25 anos – que foi assassinada friamente por um assaltante, no domingo passado – pela mãe dela, Ionete Fátima Leal. (…)Assim como teólogo algum consegue convencer como uma pessoa piedosa pode ser vítima de um facínora covarde como o que acionou o gatilho, também é muito difícil entender como Ionete consegue perdoar este assassino. Pois foi isso que ocorreu, segundo pastores evangélicos que assistem à família da jovem. A mãe afirmou que perdoa o assassino de sua filha e que deseja que alguém leve a palavra de Deus a ele, no cárcere, na esperança de que ele se arrependa, se converta de seus maus caminhos e entregue sua vida a Deus. Se isso acontecer, significa em tese que o assassino poderia vir a encontrar com sua vítima no reino dos céus. A atitude de Ionete é cada vez mais rara na sociedade revanchista que vivemos. Não sei exatamente se é o melhor exemplo, num mundo sem fé ou cada vez mais marcado pela intolerância entre os fiéis de diferentes credos. É a atitude de dona Ionete, uma cristã da Assembléia de Deus, uma das mais tradicionais igrejas protestantes e pentecostais do país. (…)[Dona Ionete] acredita que vai encontrar com sua filha na Jerusalém celestial. E essa fé é o que deve movê-la a cumprir o mandamento de seu líder espiritual, Jesus, o mesmo que disse, inocente, a caminho de sua pena de morte: ‘Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem’. O mais interessante é que a teologia de dona Ionete, evangélica, já está sendo posta em prática também por um grupo de católicos por meio das Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere), criadas em 2000 pelo padre colombiano Leonel Narvaez, a partir de sua experiência no acompanhamento de tribos africanas em conflito. O lema desse grupo é exatamente o mesmo que marca a quase impossibilidade de se compreender a atitude de dona Ionete: ‘Contra a irracionalidade da violência, propomos a irracionalidade do perdão´.Nesse curso, dona Ionete deveria ser catedrática”. Dona Ionete, preferiu a liberdade de perdoar. Preferiu a vida que a morte em vida. Preferiu amar e não odiar. Preferiu que as mãos do Senhor nosso Deus fossem amorosas com aquele que tanto a maltratou. Desejou primeiro viver a abundância do perdão que a adversidade do rancor. Como Paulo entendeu o significado de viver contente: foi iniciada no maravilhoso segredo do contentamento, independentemente de pobreza ou de prosperidade: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fil 4,13) ¹. É o poder de Cristo nela que lhe dá contentamento e conforto espiritual. Segundo Wiersbe , Paulo enfrentava as dificuldades em alegria, pois “essas circunstâncias não lhe roubam a alegria porque ele não vive para gozar as circunstâncias. Vive para servir a Jesus Cristo. Ele não é prisioneiro de Roma; é sim o prisioneiro de Jesus Cristo”² Somos novamente poderosos por sermos servos do Deus altissímo, Aquele que caminha com nós e nos dá a sua paz. Dona Ionete recebe com graça a mensagem de Paulo, pois para ele a experiência do mundo e a vitória sobre o mundo encontram ambas na morte e na ressurreição de Cristo a sua razão de ser, a sua necessidade e a sua promessa. Os cristãos devem dar-se até a morte, como razão de ser, como primeira necessidade e como esperança de fazendo assim, levar a esperança e as promessas de conforto, cura, perdão, consolo e salvação para o mundo perdido. Nós, eu e você, temos que morrer de nós mesmos, para que Cristo viva em mentes, corpos e espíritos daqueles que precisam. Compreendendo que a nós nos fazemos ricos quando perdemos, temos força quando estamos fracos, pois

“… em tudo recomendamo-nos como ministros de Deus, por grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angútias, nos açoites, nas prisões, nas desordens, nas fadigas, nas vigílias, nos jejuns,(…), pelas armas ofensivas e defensivas da justiça, na glória e no desprezo, na boa fama e na má fama, tido como impostores e, não obstante, verídicos; como desconhecidos e, não obstante, conhecidos; como moribundos e, não obstante, eis que vivemos; como punidos e, não obstante livres da morte; como tristes e, não obstante, sempre alegres, como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos; como nada tendo, embora tudo possuamos” (2Cor 6,4-10).
Temos o perdão de Cristo, somos ricos, enriqueçamos o mundo de tão excelente perdão. Oração: Pai console e conforte Dona Ionete, sua família e sua igreja. Minha oração é que sejamos andarilhos contentes nesta terra estranha, cheia de dor, sofrimento e perdas. Que seu perdão inunde o mundo a partir de mim que nada posso sozinho, mas que tudo posso em ti que me fortalece. ¹ BORNKAMM, Gunther. Paulo Vida e Obra. Petropólis, RJ: Vozes,1992. P. 194.²WIERSBE. Warren W.. Seja Alegre. Queluz – Portugal: Centro de Publicações Cristãs. 1979.