Mais Tarde Você Entenderá

Respondeu Jesus: ‘Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá’” (João 13.7 NVI).

Voar. Isso é para os pássaros. Quer dizer, esse dom é naturalmente para os pássaros, embora Deus nos tenha concedido inteligência para, pelo estudo da aerodinâmica, fazermos isso através dos aviões. Cada elemento da anatomia dos pássaros foi feito para permitir o voo. O formato do corpo, os ossos, os músculos, as penas. O pássaro nasce para voar, porém isso só vai acontecer quando ele começar.

Muitos pássaros não podem voar até que seus músculos se desenvolvam. Nesse período o ninho se torna o seu mundo. Os filhotes não são responsáveis por conseguir o alimento ou se protegerem, então eles normalmente desenvolvem uma dependência psicológica que precisa ser vencida. Os pais começam a ensinar a importância de voar ao se colocaram a certa distância do ninho durante a hora da alimentação. Se os filhotes devem sobreviver, eles precisam primeiro sair do ninho. Frequentemente isso significa uma queda e uma longa jornada de volta à segurança do ninho.

Toda essa prática, por mais estranha que possa parecer, ensina ao filhote as mecânicas do voo. As quedas se tornam mais controladas quando o bebê abre as asas antes de bater no solo. Os pulinhos de volta ao ninho se tornam longos saltos e voos maiores. Os pais continuam a encorajar o filhote a passar mais tempo fora do ninho. Algumas espécies adotam uma tática de amor mais rígido, deixando os filhotes sozinhos por muito tempo para que desenvolvam seus instintos de voo.

Se eu fosse um bebê pássaro, nessas horas questionaria mamãe e papai porque eles não me dão o alimento dentro do ninho onde é muito mais seguro. Certamente eles diriam: “’Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá”.

Depois de algumas semanas de pratica e imitação, os jovens pássaros aprendem técnicas mais avançadas de voo – como usar o vento para subir, como localizar as correntes termais e como pousar de forma mais controlada em um galho ou no chão. Em certo momento tudo isso se torna instintivo, hábito e logo os filhotes podem formar suas próprias famílias.

Deus está trabalhando em nossas vidas todo o tempo. Às vezes não entendemos o que Ele está fazendo, porque simplesmente temos que cair, pular de volta, bater as asas, voar. Às vezes devemos simplesmente confiar em Deus e acreditar que Ele tem um propósito no que faz. Jesus disse a Pedro, enquanto lavava os seus pés, que apesar dele não entender o significado do que estava fazendo, Pedro entenderia mais tarde.

Às vezes podemos passar por experiências semelhantes. A dor proveniente de uma perda, o vazio, a solidão podem ser enorme e pode parecer que Deus não está fazendo nada. Nesses momentos devemos entender que Deus sempre está trabalhando em nossas vidas, embora nem sempre possamos entender. Às vezes Deus trabalha por trás das cortinas e revelará sua obra quando chegar o momento. Jó tentou visualizar o que Deus estava fazendo nos dias de sua provação e não conseguiu. Então entendeu que, mesmo sem entender o que estava acontecendo em sua vida, Deus sabia o caminho em que ele estava andando e depois, mais tarde, sairia como ouro.

Mas, se vou para o oriente, lá ele não está; se vou para o ocidente, não o encontro. Quando ele está em ação no norte, não o enxergo; quando vai para o sul, nem sombra dele eu vejo! Mas ele conhece o caminho por onde ando; se me puser à prova, aparecerei como o ouro” (Jó 23.8-10).

Assim como o bebê pássaro, Deus nos capacitou para vivermos em fé, em intimidade com Ele. Porém muitas vezes ficamos em nossa comodidade, nosso mundo se restringe ao ninho. Formamos nossos hábitos, nossos ídolos pessoais e esquecemo-nos dEle. É nesse momento que Deus se coloca um pouco mais distante do ninho para que nos esforcemos para alcançar o alimento. É quando precisamos exercitar a fé. Nessas horas não entendemos o que está acontecendo, porém, mais tarde, entenderemos.

Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1.6).