O Encontro com o Feliciano – Parte 1

Estive com o Cabo (agora Terceiro Sargento) Feliciano no sábado retrasado. Agradeço a Deus por ter conhecido tão bela família. Saboreei duas fatias enormes de um bolo feito com carinho pelas mãos amorosas da família Feliciano. Que bolo gostoso. Comi tanto que rejeitei com carinho uma pasta light que parecia a mais deliciosa das delicias da terra feita pela esposa do Feliciano, a Marta. Joguei bola com um dos seus sobrinhos que com certeza fará um grande sucesso nos gramados, o melhor de tudo que ele joga pelo Mengão. Tudo lá foi maravilhoso, agradeço demais ao Evanderson que me conduziu a lugar tão agradável.

Foi bom conhecer mais um Feliciano. Em tempos de milicianos e marcianos, sempre faz bem conhecer um Feliciano. Feliciano e felicidade, não consigo separá-los. Tá difícil tentar desassociá-los. Aquela conversa com Ednei Feliciano “Felicidade” me fez lembrar de tanta coisa boa. Fez-me lembrar o quanto é bom receber alguém em casa. O quanto é maravilhoso ter uma casa que cabe todo mundo.

Conversamos sobre a tragédia em Realengo e o ato heróico daqueles homens prontos para combate. O menino baleado chegou pedindo socorro. Seus amigos e amigas, os brasileirinhos estavam sendo chacinados a poucos metros dali. Na tentativa de fugir e pedir ajuda aquele menino tentou entrar em uma casa, a casa de uma doceira, que poderia ter sido doce. Feliciano agradeceu, com muita sabedoria, a Deus por ele ter sido impedido de entrar. Fecharam a porta em sua cara e corpo ensangüentados. Se ele tivesse entrado, seria tratado, encontraria abrigo, mas não teria encontrado a felicidade, o Feliciano.

Uma mulher vizinha à escola chorou em entrevista a um canal de TV que as crianças invadiram sua casa, desesperadas, chorando e gritando de terror. Algumas crianças chegaram a se esconder debaixo de sua cama tamanho horror e temor. Ela disse: “queria que minha casa fosse maior para caber todas elas”. Naquela casa não cabia todo mundo.

Uns fecham portas outros abrem as portas. Tenho muita coisa para te contar. Mas hoje, a mais importante é: Nos braços de Deus cabe todo mundo. A casa do Pai tem muitas moradas. Ele recebe você, na situação que você estiver vivendo, seja quem você é sem ver seu erro, seu medo, seu terror. Ele te espera de braços abertos. A casa dele é grande, mas o caminho é estreito. O Caminho é Jesus. Peço a Deus que na circunstância dolorosa que estás vivendo tu possas entrar correndo na casa do Pai. Com ele não será necessário entrar debaixo da cama. Há espaço para ti nas mãos de Deus.

Há caminhos que parecem certos, mas levam a morte. Há portas que serão fechadas e outras que serão abertas. Porém, a porta da Casa de Deus, a morada do Altíssimo, estará sempre aberta para ti. Não se demore, pois sons de tiros podem se ouvir na cidade.