O Natal Foi Assim

Em Recife, o sonho de uma noiva terminou em pesadelo, pelos planos concretizados do noivo. Na madrugada de domingo (19.12.10 d.C.), Renata celebrava a realização do sonho de seu casamento com Rogério quando, o próprio novel esposo sacou de uma arma matando a noiva, o padrinho Marcelo para, finalmente, atirar contra a própria cabeça. De acordo com a análise inicial da polícia, o crime foi premeditado pelo próprio noivo.

Em Nazaré da Judéia, o sonho de uma noiva, depois de frustrado, terminou em exitosa realização. Há mais de dois mil anos atrás (6 a.C.), Maria tinha o casamento tratado com José (Mateus 1: 18), uma espécie de noivado. Ter filhos seria uma conseqüência natural e ansiosamente esperada, já que não ter filhos naquela época significava carregar uma espécie de maldição divina e ser, por isso, alvo de zombaria.

Os sonhos legítimos dessa noiva são de repente e de forma inexplicável e involuntária invadidos pelas circunstâncias de uma gravidez inesperada e inexplicável; determinada que fora pelo próprio Deus. O sonho, apesar da bênção da gravidez, começa a delinear um pesadelo. O noivo, presumidamente traído, poderia denunciar publicamente a noiva, difamando-a. À noiva restaria não apenas a vergonha pública, mas talvez a morte por apedrejamento.

Entra em ação o plano do homem justo. Para não difamar a sua noiva, ele resolve assumir a responsabilidade pelo rompimento do noivado. Ele planeja deixá-la secretamente e assim evitar, pelo menos por hora, a exposição pública. Pode-se inferir os comentários quando Maria começasse a ganhar peso… José, chamado justo (Mateus 1: 19), não exigiria a punição, mas também não procuraria a redenção e a absolvição da noiva.

Os sonhos da noiva e os planos do noivo são novamente invadidos pelos propósitos divinos. Em sonhos (Mateus 18: 20), Deus revela os Seus sonhos para Maria e José: o sonho de Deus não significaria a negação dos melhores sonhos dos noivos, talvez apenas de um jeito divino, e não humano, o sonho de Deus tinha como propósito dar vitória sobre o medo quanto ao futuro, o sonho de Deus visava a cura e a salvação, o sonho de Deus era o cumprimento das promessas divinas, o sonho de Deus intensificaria a sua presença na vida de todos os homens, o sonho de Deus produziria um milagre (a concepção virginal). Contudo, o sonho de Deus exigiria obediência do ser humano.

A nossa vida é assim: sonhamos, planejamos tudo do nosso jeito. Contudo, não raro, circunstâncias inesperadas e inexplicáveis invadem os nossos sonhos. Por vezes, essas circunstâncias são determinadas pelo próprio Deus. Experimentamos medo e tentamos resolver tudo do nosso jeito, contudo, o melhor mesmo é sonhar os sonhos de Deus, é deixar que os sonhos gloriosos de Deus dirijam a nossa história.

O Natal de Nazaré foi assim! O Natal de Recife não foi assim! A diferença entre ambos, é que naquele prevaleceu o sonho de Deus; nesse, os planos do noivo!

Que, como foi o Natal em Nazaré, seja o nosso Natal hoje e sempre!
Pr. Josué Mello Salgado