Equilíbrio

Ontem meu pastor pregou na igreja sobre sabedoria. Sabedoria em Grego tem o mesmo significado de equilíbrio, entendimento, bom juízo.

Ao ler o texto abaixo, do encontro do Senhor Jesus com a mulher adultera o Mestre e Salvador nos ensina, além do amor e do perdão, a sermos equilibrados:

Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras. E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (João 8.1-11).

Nem tanto apaixonados pela justiça nem tanto pela misericórdia; Alguns vivem somente o Deus justo e não dão igual valor ao Deus misericordioso ou vivem a misericórdia de Deus de forma empolgante, mas por serem desequilibrados tornam-se grandes “folgados” de Deus. Gente que confunde liberdade com libertinagem. Gente que não vive a beleza da justiça de Deus. Quando somente a misericórdia de Deus é considerada temos a tendência de sermos libertinos em vez de libertos. Ficamos muito próximos de achar que Deus é tão misericordioso que aceita tudo e todos erros que cometemos; queremos um deus “tão bonzinho”, um deus ao nosso dispor, que aceita nossos pecados contumazes, aqueles que não queremos abandonar. Ao colocarmos mais peso na justiça julgamos e condenamos o próximo sem olhar a nós mesmos, pobres e necessitados. Condenamos ao apedrejamento filhos, cônjuges, pais, amigos, subordinados e amigos, com o coração duro e com escamas espessas nos olhos de nosso coração. Assim não entendemos, compreendemos, aceitamos e perdoamos o próximo que precisa de nosso perdão. Ao colocarmos mais misericórdia nesta “panela” do que o tempero da justiça, caímos na desgraça de deixarmos tudo à vontade. É o que se vive hoje em lares, empresas, escolas e às vezes, em igrejas. Vive-se uma sociedade “à vontade”, cuja essência demonstra ser adepta a libertinagem, a iniqüidade, a soberba, ao desrespeito, a desobediência e a arrogância.

A resposta de Jesus para mulher demonstra toda sabedoria de Deus: Seja equilibrada: “Ninguém te condenou? Tão pouco eu te condeno; vai, e não peques mais” (v. 11). Sim, Deus é misericordioso, mas também é justo. Mulher tu pecaste, eu não te condeno, mas não peques mais. Este ensino também nos conduz ao entendimento que a Graça divina não pode estar separada das exigências morais. Sim, Deus é bondoso e misericordioso, somente pela graça somos salvos, mediante ao amor e a fé em Cristo Jesus, Ele mesmo Deus que se fez homem, não para somente viver por nós nos ensinando a bem viver, mas para morrer por mim e por você. É pela graça que somos salvos, não é um dom nosso, mas um dom de Deus (v. Efésios 2.8). Todo sacrifício é dele. Entretanto, não podemos ser desequilibrados ou incultos a ponto de não entendermos as exigências morais às quais estão envolvidos aqueles que confiam e amam a Deus, aqueles que aceitam a Graça de graça. Assim, aquele que é salvo, é salvo por Jesus. Isso significa que por amor a Deus, e pela certeza da salvação do Pai, o sábio não se deixa contaminar pelas imundices morais deste mundo tenebroso. A sabedoria é esta, serei santo como Ele é.

Equilibrados entre aquilo que dizemos e aquilo que praticamos. É um dos grandes complicadores de nossa vida. Geralmente, dizemos uma coisa e fazemos outra muito diferente. Jesus ensina que as nossas palavras e as nossas práticas, devem fazer sentido. Assim, quando os homens da lei vieram para ele condenando aquela mulher, eles deveriam saber que Jesus não esqueceria de mostrar os pecados daqueles que viam com palavras de justiça. Alguns estudiosos dizem que enquanto os homens questionavam a Jesus sobre o que fazer, tentando também condená-lo; Jesus escrevia na areia os pecados de todos aqueles homens. Lembremos que precisamos viver aquilo que falamos. A sabedoria é esta. Escute mais do que fale. Fale o que você vive.

Sabedoria é autocontrole, mas a sabedoria que vem do alto ensina que melhor do que autocontrole é viver controlado pelo Espírito Santo de Deus. O melhor é ter o temperamento controlado pelo espírito. Assim, a consciência e a justiça divina, não serão somente palavras, mais principalmente atos dos que amam a Deus. Dos que desejam serem sábios. Sou equilibrado, não vivo mais eu, mas Cristo, fonte de todo equilíbrio, meu salvador, vive em mim.

Deus te abençoe.