Adoração Solitária

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41.10).

Quando você olha ao seu redor para as pessoas que vão à igreja no domingo, o que você vê? Vê pessoas bem vestidas e que têm todas as coisas sob controle? Ou vê pessoas feridas precisando de conforto, com problemas e carentes de paz, doentes que precisam de cura?

Quando vamos à igreja vemos pessoas bem vestidas, mas precisamos olhar além da fachada para as feridas que cada um carrega. Há aqueles que ganham um salário mas têm o dobro de despesas. Há aqueles que têm dois filhos que, de acordo com o pai, são um erro total e que os acusa de serem estúpidos e de não fazerem nada certo. A senhora mais à frente acabou de descobrir que está com câncer. O casal ali acaba de ter uma briga enquanto ia para a igreja e cada um pensa em divórcio. Há aquele que acabou de descobrir que foi traído e o outro que perdeu o emprego. Tem aquela moça recém casada que o marido diz que um dia virá à igreja, mas esse dia nunca chega.

Há ainda aqueles com pequenas feridas, mas que não aparentam ser pequenas para aqueles que passam por elas: um emprego sem graça, uma faculdade mal feita e por aí vai. Cada um deles se sente só em sua dor.

Você mesmo pode ser uma dessas pessoas. Quantas vezes já não se sentiu só, sem condições de dizer a dor que vai em seu coração?

Você já se sentiu só no meio da multidão? Com toda a tecnologia do século XXI em que temos internet, celulares e muitas outras parafernálias tecnológicas é espantoso como podemos ainda sentir solidão. Charles Swindoll, escritor e locutor, descreve solidão como “a mais desolada das palavras”. Ninguém está imune ao seu impacto devastador. Pior ainda é se sentir só – diante de Deus.

A Bíblia traz histórias de pessoas que estavam sozinhas. Uma delas é Ana. Ela sabia o que significava orar sozinha, adorar sozinha e carregar o peso da dor sozinha. Ela queria um Filho mais que qualquer coisa na terra. Um dia ela derramou seu coração em lágrimas diante de Deus a respeito do seu problema. Ela contou sobre seu desejo, sua tristeza ao ver outras mulheres que viviam junto com ela com crianças correndo pra cima e pra baixo, falou de sua frustração por não dar um filho ao marido e de sua tristeza por ser alvo de piadas por parte da outra esposa de seu marido. Ela orou, chorou e disse a Deus que se Ele desse um filho a ela, ela o daria de volta para o Senhor para o serviço no templo por toda a vida.

Ana estava só diante de Deus. Seu marido deveria estar em outra parte do templo adorando e oferecendo sacrifícios. Deus se encontrou com Ana enquanto ela orava e adorava sozinha. E Ele deu a ela o filho pelo qual orou.

Depois de dar a luz ao filho e passar o período de amamentação, Ana foi novamente ao templo e dessa vez foi para agradecer a Deus pelo presente e para deixar o Filho com o sacerdote. E aparentemente ela o fez sozinha novamente. Veja que o canto de louvor de Ana que está registrado no segundo capítulo do livro de Primeiro Samuel não está registrado o louvor do pai daquela criança.

Ana teve uma experiência tão profunda com Deus quando implorou por um filho que não importava mais estar só. Não importava se alguém mais estava junto com ela. Deus estava com ela e deu mais filhos a Ana.

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós”. (João 14.16-18).