Dependência – Parte 01

Mas fui eu quem ensinou Efraim a andar, tomando-o nos braços; mas eles não perceberam que fui eu quem os curou” (Oséias 11.3).

Mais uma do capítulo paternidade. Como pai que baba com o primeiro filho, fico atento ao comportamento de minha filha que hoje está com 49 dias de nascida. Sou daqueles pais que gosta de estar perto, de participar de tudo, de conversar, e de pegar. Mas estou percebendo que ela já está procurando certa “independência”.

Nos primeiros dias de nascida Isabela não reclamava nunca de ficar nos braços do papai. Hoje em alguns momentos percebo que ela não quer saber dos meus braços. E quando ela não quer, chora mesmo que eu esteja fazendo de tudo para ajudá-la ou acalmá-la, pois é o único meio de dizer o que sente.

Não poderia deixar de comparar mais uma vez. Da mesma forma que eu, como pai, Deus gosta de estar perto de nós, participar de tudo em nossas vidas, de conversar conosco e de nos colocar nos braços. Mas nós queremos independência.

Queremos independência para tocar nossa vida do jeito que achamos correto. Queremos independência e só receber de Deus certos benefícios independentemente das porcarias que temos em nossas fraldas. Vergonhoso incluir aqui até o recente escândalo daquele deputado que ao receber propina ainda ora agradecendo a Deus por aquilo que recebe com a dizer para Deus: “Sou independente, portanto faço o que acho certo. Muito obrigado por ficar distante e só chegar quando preciso”. Enchemos nossas fraldas (ou cuecas) de sujeira.

Achamos que somos tão independentes e temos tal controle de nossas vidas que chegamos até ao extremo de querer controlar a vida dos outros. Seja dos filhos, do cônjuge, dos amigos, do pastor ou até de Deus! Sim, meu filho tem que fazer as coisas do jeito que quero, meu cônjuge não sabe de nada, Deus não quer e não sabe me ajudar e saímos atropelando as coisas e a vida… Até o primeiro problema.

Minha estratégia é deixar que minha filha chore durante algum tempo para que ela perceba que sozinha não vai resolver o problema, então entro com minhas mãos para resolver a necessidade dela, seja com a troca da fralda, o remédio ou com meus braços nos quais eu a pego com cuidado e carinho e a faço dormir se é o caso ou a levo para a mamãe amamentar. O melhor de tudo é quando ela aceita o meu cuidado e se acomoda em meus braços calma e deixa que eu tome conta da situação.

Deus também faz o mesmo. Em alguns momentos em que nós estamos chorando e implorando por ajuda, ainda temos em nosso coração a vontade ferrenha de manter nossa independência. Queremos que Ele tire de nossas vidas aquilo que nos incomoda, mas depois continuaremos independentes e tocando nossas vidas do jeito que queremos e achamos certo. Então Ele realmente nos deixa chorar até que reconheçamos nossa dependência dEle.

Isso requer coragem e mudança de atitude de nossa parte. Já assistiu uma corrida da NASCAR onde o líder parece que trava em primeiro lugar? De repente, o carro que está em segundo lugar faz um movimento para passar por dentro da curva. Acelerando e com determinação ele muda de pista e avança para tomar o primeiro lugar. A única maneira de vencer era a mudança de faixa. Muitos de nós estamos agarrados às nossas atitudes e estilos de vida que dizem para Deus “Eu sou independente” e deixamos de aproveitar todos os benefícios que Deus pode dar da vida em comunhão com Ele. Precisamos mudar de faixa, precisamos mudar de atitude. Só aí Deus entrará com suas mãos para cuidar de nós do jeito que Ele sabe ser melhor para nós.

A minha salvação e a minha honra de Deus dependem; ele é a minha rocha firme, o meu refúgio” (Salmos 62.7).

Oração: Deus, eu peço perdão por meu desejo de controlar as coisas e viver independente de Ti. Por favor, tome conta da minha vida, pois a entrego inteiramente a Ti, sabendo que as coisas que queres fazer são melhores do que o que eu desejo. Em nome de Jesus, amém.