Agora Entendo o Beija-Flor – A Face do Pai Fiel

Minha tia faleceu no dia 06 de julho, menos de uma semana após o falecimento de seu irmão. Tinha passado a semana com minha mãe e meus dois irmãos em São Paulo onde moravam. Retornei no domingo. Cheguei bem cansado. Depois de almoçar fui descansar um pouco. Não consegui dormir direito. Cochilei. Acordei com o telefone tocando. Atendi o telefone com receio de más noticias. A menos de uma semana, naquele mesmo quarto, fui acordado com um telefonema que me machucou muito. As coisas pareciam se repetir. Minha tia estava passando mal em Recife. Minha prima ligava dizendo que estava indo ao setor cirúrgico de um hospital para verificar qual a situação dela. A princípio não a situação era muito grave. Ela passaria por um cateterismo para saber qual era a situação dela.

Tia Glyce era uma mulher muito amável. Era solteira. Cuidou de minha avó por muitos anos. Na minha infância era a tia preferida e na minha fase adulta era a Tia irmã preferida. Ela passou muitos anos de sua vida distante de Jesus Cristo. Apesar de ser educada nos ensinamentos bíblicos ela se afastou deles. Retornou aos caminhos do Senhor após a experiência da perda de minha avó Laura. E retornou com toda a força. Amável com todos se tornou em luz do mundo para muitos que a conheceram. Na última vez que falei com ela, estava sozinho, era madrugada no cemitério, ao lado do corpo frio de meu pai. Ela me ligou e me consolou. Que dor tremenda estava ela passando. Seu irmão querido estava morto. E ela arranjava forças para me consolar. Nela encontrei a presença do Espírito Santo. Pensei logo após falar com ela na solidão aparente que ela vivia em Recife. Que nada. Deus a acompanhava diariamente. Nesta noite fria e chuvosa, me lembrei das vezes que nos levava a passeios maravilhosos. Aos parques, aos circos ao zoológico. Que tia amável. Estava conosco em todas as dificuldades. Não posso contar quanto nos ajudou. Incontáveis foram os almoços e jantares que passamos na casa dela, pois em nossa casa não tínhamos nada. O grande apoio que ela dava ao meu pai que passava dificuldades financeiras. Os beijos e abraços. O carinho inimaginável. Mulher de Deus.

Minha prima, Ana Cristina, enfermeira formada, filha do Pr Hélio Vidal de Freitas, me disse que ela estava mal. Avisei-a que iria para casa de minha sogra no bairro de Campo Grande cerca de 40 minutos de minha casa. Quando chegasse lá ligaria para saber noticias. Eu, Viviana, Caio e Hugo entramos no carro em silêncio e ficamos em silêncio por muitos minutos. Menos de uma semana e a morte rondava de novo nossa família. Silêncio sepulcral que foi quebrado no momento que liguei o rádio. Ele estava sintonizado numa rádio FM evangélica. E no exato momento que liguei o rádio ouvimos o inicio do hino “ Tu és Fiel Senhor”. Durante alguns minutos escutamos em silêncio Deus nos falar que Ele era fiel conosco. Pensei imediatamente nas bênçãos sem fim preparadas por Ele dia após dia na minha vida. Naquele momento, por mais que parecesse mais fácil pensar que Deus estava curando minha Tia. Tive a certeza que Ele levava, em seus braços, minha tia para a Jerusalém celestial. Este era o aviso. Esta era a noticia. Esta era e é até hoje a certeza. Ele mais uma vez confirmava as suas promessas de sustento e de cuidado. Passava novamente por um momento de perda, porém vivia a certeza da salvação. Incrível! Como Ele foi rápido em cuidar de mim e de me consolar. Como a sua voz chega rápido quando estamos prontos a escutá-lo. Eu estava subindo a Avenida Brasil e naquele mesmo momento minha tia subia aos céus. Cheguei na casa de minha sogra com esta certeza. Telefonei para minha prima que chorando me disse que ela não suportou o problema no coração. Aninha me disse que quando Tia Glyce a viu chegar no hospital deu um largo sorriso, inesquecível, e disse: ”minha linda que bom que você veio” Estava felicíssima por vê-la, apesar da dor que estava passando, e isso era uma verdade em sua vida. Penso no seu lindo sorriso, multiplicado por mil, quando ela viu a Jesus. Momento que representa toda a sua fidelidade para conosco. Fidelidade que dura para sempre. Principalmente, após a nossa morte. Indo em silêncio com minha esposa e meus filhos, ouvi a voz de Deus. “ Sou fiel contigo, meu filho. Ela está agora sorrindo em meus braços”.

Um dos livros mais importantes na minha vida é o livro “A oração de Jabez”. Nesta oração (1 Crônicas 4:10) ele faz quatro pedidos a Deus. Jabez foi o homem mais respeitado de sua família. Deus escutou a sua oração a atendeu os seus pedidos. Um deles foi que Deus alargasse as suas fronteiras, as suas terras. Peço a Deus que hoje Ele esteja alargando a sua mente, a sua vida o seu coração. Entenda que: “o amor não depende exclusivamente das emoções. Amor é o que você faz e diz, não só o que você sente” (Wilkinson, Bruce, Além de Jabez, Editora Mundo Cristão). Não senti o amor e a presença de Deus naquele dia. Eu vi o seu agir. Eu escutei o seu falar. Eu fui agraciado com a resposta de um Deus que ama. Escutei a música de sua voz. Tive a certeza que Ele me ama. Amor não é somente sentir. Amor é ação. Amar é atitude. Amar é verbo. E Jesus é o Verbo. Chega então de tantos sentimentalismos e emoções. Deus te convida para ouvir a sua Voz. Deus te chama para entender o seu agir. Deus te convida para compreender e viver o seu amor.

Sofri o dobro. Chorei. Senti saudades. Entretanto, glorifico a Deus diariamente. A certeza de viver dias cada vez melhores na presença do Pai Fiel é tudo que desejo para mim e para você. Não deixe a oportunidade que Ele te dá agora. Ele está sendo fiel a você e dizendo-lhe que nunca esqueceu de Ti. Não escreva sua vida na areia. Escreva sua vida na rocha que dura para sempre. Meu Pai amado garante vida a todos que o amam e o servem. Meu Pai Amado nos dá a garantia de vida eterna em seus braços. Nos braços do Pai Fiel.

** Do livro Agora Entendo o Beija-Flor**
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