Agora Entendo o Beija-Flor – A Face do Bom Pai

Na madrugada do dia 01 de Junho fui buscar minha esposa e minha cunhada Verônica na rodoviária do Tietê em São Paulo. No caminho, me perdi. Ao buscar ajuda em um posto de gasolina encontrei um rapaz que se identificou como um motoboy, ao sentir que eu estava com os olhos cansados e tristes, com certeza vermelhos de tristeza, ele me perguntou se estava com algum problema, além de estar perdido. Falei que meu pai tinha falecido e que eu estava indo a rodoviária me encontrar com minha esposa para levá-la a cerimônia de despedida. Para minha surpresa ele disse muito triste: “Quer saber de uma coisa ? Eu tenho inveja de você pois quando meu pai morrer não sei se tomarei um porre de felicidade ou apenas baterei palmas”. Este pobre rapaz triste me contou que não tinha carinho algum de seu pai. Que o seu pai se casou pela segunda vez e somente oferecia carinho e amor aos filhos do segundo casamento. Quando ele visitava a casa de seu pai. Geralmente, seu pai se escondia, pois imaginava que seu filho estava querendo tirar dinheiro dele. Quando ele só queria atenção, carinho e amor.

Quão bom e maravilhoso é ver um pai que vive em comunhão com seus filhos. Quão maravilhoso saber que meu pai era amado e amava seus filhos com todo coração e forças. Nos lembramos quando crianças, adolescentes e até jovens adultos que ele gostava de nossa presença ao lado dele. Íamos a passeios, a igrejas, a viagens missionárias, ao seu trabalho, a visitas aos lares dos irmãos, íamos a todos os lugares com ele. É assim que o Consolador atua em nossas vidas, Ele não quer ser esquecido. Quer participar de todos os momentos, sejam eles da mais pura alegria ou da maior sofrimento. Obrigado Deus por aprender isto contigo e com meu pai. Lembro-me de uma foto no escritório do presidente americano John Kennedy, na Casa Branca, e da presença do seu filhinho embaixo de sua mesa. Ali, garanto que era o mundo mais seguro para aquele menino. Embaixo daquela mesa toda brincadeira era possível. Nos pés de seu pai aquele menino se sentia o máximo. Somente na presença do pai nos sentimos em casa.

A presença de um bom e amado pai é algo inimaginável. Sempre penso nisto quando vejo a sociedade atual. Será que faltam pais amorosos no mundo? Até quando viveremos uma sociedade enlutada pela perda, ainda que vivos, de pais bondosos, justos, cuidados, caridosos, mestres e amorosos? Faltam pais exemplares? Na verdade falta a presença de Deus nos corações, nas mentes e na vida dos que são presenteados com filhos por Deus. Faltam pais de verdade. Aliás, faltam pais no Brasil e no mundo.

Tudo é possível! O mar revolto se acalma, a noite tenebrosa desaparece em raio de luz, os ventos contrários se tornam experiências de crescimento e chegada tranqüila no porto seguro. Saímos do abismo e do mar de solidão quando olhamos para o alto e vemos aquele que sempre foi maior que todos nós. O nosso pai amoroso. Pai que não se esconde de nós. Pai que não tem outros interesses. Pai que vê seus filhos com justiça e igualdade. Pai que se lembra de nós. Pai que nos visita. Pai que apesar do que somos ainda nos ama de sobremaneira. Precisamos de pais assim. Agora entendo que meu pai me fez um pai melhor. E que meu Senhor me faz um filho melhor. Na sua presença quero sempre andar. Em seu lar quero habitar. Somente assim, verei meus bons pais juntos novamente. LOUVADO SEJA DEUS!

** Do livro Agora Entendo o Beija-Flor**
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